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Curiosidades

 Alberto Santos-Dumont foi um menino tímido que, na década de 80 do século XIX, adorava ler as histórias fantásticas de Júlio Verne, principalmente as histórias de máquinas voadoras, levando-o a sonhar com elas.

  Desde pequeno, na imensa e remota fazenda de café do pai em Minas Gerais, o futuro aeronauta já demonstrava grande fascínio pelo funcionamento das imponentes máquinas moedoras de café e por motores de toda espécie.

 Quando ainda menino, em Ribeirão Preto-SP, ele já ficava intrigado com os Sanhaços e Tico-Ticos que pousavam em seu quintal e depois ganhavam o ar, novamente, com a maior tranqüilidade, afinal – pensava ele – “as aves são pesadas e, se elas conseguem voar, por que não o homem?”.

 Em todas as suas invenções buscou o uso de novos e leves materiais na construção dos dirigíveis, como a seda japonesa, as cordas de piano, o bambu, e a adaptação para o vôo de mecanismos e máquinas conhecidos, como as válvulas de pressão, o motor de combustão interna, o formato aerodinâmico do balão, entre outros, modelados “como uma fada manobrando sua varinha de condão”, em palavras de Gabriel Voisin, engenheiro aeronáutico e amigo do inventor brasileiro.

 Emancipado pelo pai aos 18 anos, viajou para Paris com o objetivo de completar seus estudos e imaginava encontrar um céu povoado com fantásticas máquinas voadoras, como nos romances de Júlio Verne.

 Interessou-se pelos automóveis e comprou um Peugeot, dos primeiros a serem fabricados pela fábrica francesa, e esquadrinhou o funcionamento de seu motor. Em seguida, projetou e mandou construir um balão livre, o Brasil, totalmente inovador para a época, pois era pequeno e usava novos e leves materiais, como a seda japonesa.

 Sempre buscou novas soluções, como foi o caso do uso do motor a combustão interna, adaptado para impulsionar um dirigível cheio de hidrogênio, gás altamente inflamável.

 Adaptou um triciclo como trem de pouso nos seus balões e aviões.

Fez a construção de um abrigo para seus balões - o hangar - que o possibilitava não ter de esvaziá-los e enchê-los todas as vezes que fosse realizar algum vôo, economizando tempo, além de poder produzir seu próprio hidrogênio, economizando na sua compra.

O relógio preso ao pulso, foi invenção para facilitar o controle do tempo de vôo, idéia essa posta em prática pelo joalheiro Cartier, sendo sucesso imediato entre a elite européia.

Santos-Dumont, no início do século XX, com o sucesso e a celebridade dos seus vôos dirigidos, ditou a moda masculina na capital mundial da moda! Até brinquedos foram feitos de seus balões...

  As crianças pediam doces com a imagem do inventor nas confeitarias.

   A Imprensa mundial não ficou alheia às experiências públicas do inventor, e havia jornais que mantinham correspondentes atentos aos seus passos, como, por exemplo, o americano The New York Herald. Santos-Dumont era notícia certa, com seus vôos, seus acidentes, suas relações pessoais com homens de ciência, como Thomas Edison; da literatura, H G Wells; da nobreza, a Princesa Isabel e a Imperatriz Eugênia; da burguesia, o banqueiro Barão de Rotschild.

Nunca deixou de manter uma relação cordial com os mecânicos e com a população de Paris

 Tinha duas obsessões em mente: a primeira era voar; a segunda, alcançar a fama.

 Na primeira tentativa, Santos-Dumont colocou em um balão comprido um motor de automóvel e um leme, como o de um barco, para guiar. O balão, chamado Dirigível no 1 ficou muito bonito, levantou vôo e... caiu. Mas Santos-Dumont não desistiu. Rapidamente botou de pé o Dirigível no 2, que... também caiu. Só com um terceiro dirigível o brasileiro conseguiu realizar seu desejo de voar em um balão que pudesse controlar!

Sempre que criava alguma coisa, divulgava para que outros cientistas pudessem conhecer e discutir. Além disso, doou todos os seus prêmios.

  Santos Dumont é, na realidade, uma figura ímpar em toda a história da humanidade. Dos grandes inventores, é o que realizou suas invenções mais jovem.

A elegância do aviador é relatada em várias passagens. Quando realizava vôos no calor do verão parisiense, Santos-Dumont levava um terno sobressalente no fundo do cesto de seus dirigíveis para não voltar à terra empapado de suor.

Dedicava seu tempo livre aos bordados e ao tricô, trabalhos manuais considerados exclusivamente feminino.

14 Bis, ou Ave de Rapina, como apelidara a imprensa.

Uma das mais curiosas e interessantes excentricidades do inventor brasileiro eram os jantares aéreos que começou a oferecer aos amigos no final de 1890. No começo, mesas e cadeiras normais pendiam do teto presas a cabos de aço no alto pé-direito do seu apartamento no Champs-Elysées. Funcionou bem enquanto o franzino inventor jantou sozinho mas, quando trouxe convidados, o teto não suportou o peso e cedeu. Mudou de estratégia e, carpinteiro habilidoso (aprendeu marcenaria com os funcionários da fazenda de café do pai), construiu mesas e cadeiras com longos pés.Entre os convidados ilustre os Rothschild e a princesa Isabel

Santos-Dumont recebeu o Prêmio Archdeacon e o primeiro brevê de piloto do mundo.

 Além dos impecáveis trajes de colarinho alto, chapéus, jóias, usava o cabelo sempre repartido ao meio (hábito que na época era mais afeito às mulheres.

Hoje em dia, por certo, Santos-Dumont seria enquadrado na lista dos metrossexuais e não sofreria insinuações sobre sua nunca declarada opção sexual...

Sentava-se nas cadeiras mais distante em reunião social. Cruzava os braços, abaixava a cabeça e permanecia assim horas caso necessário.

Costumava levar mulheres para passear no seu carro (no começo do século, ele era um dos poucos a possuir automóvel em Paris), mas elas reclamavam que ele não tinha muito assunto além da aeronáutica.

"Ele mantinha seu dirigível atado ao poste de um lampião a gás em frente ao seu apartamento na Champs-Elysées, em Paris, e todas as noites voava até o Maxim's para jantar. Durante o dia, ele voava para ir às compras e para visitar amigos".

 Assinava Santos=Dumont para indicar que considerava igualmente importante sua ascendência brasileira-lusitana com a francesa.

 O 14bis tem esse nome porque foi testado por Santos Dumont, acoplado ao seu dirigível de nº 14. Dumont preferiu chama-lo de “bis”, ao invés de dar um novo número.

Santos Dumont foi o primeiro aeronauta a utilizar motores a petróleo em dirigíveis. Muitos inventores da época acreditavam haver risco de explosão ao colocar o motor em proximidade com o gás (hidrogênio), que preenchia os balões. Santos Dumont provou que era possível a utilização dos motores a petróleo nos balões.

Santos Dumont foi o único, dentre seus irmãos, a não concluir curso superior. O inventor nunca teve uma formação regular. Era um esportista, como relatou um amigo da época de estudos: “aluno pouco aplicado, ou melhor, nada estudioso para as ‘teorias’, mas de admirável talento prático e mecânico e, desde aí, revelando-se, em tudo, de gênio inventivo”.    Contudo, estudava profundamente aquilo que lhe interessava.   Tornou-se um homem culto em mecânica, física, eletricidade e química.  

 Dominava vários idiomas, como o francês, o inglês e o espanhol, além do português.   Pelo valor da sua obra literária, sobre sua vida, seus feitos e a aviação, foi eleito (não assumiu) para a Academia Brasileira de Letras

Santos Dumont instruiu a primeira mulher a voar sozinha em um dirigível construído por ele. Após três “lições”, em 29 de junho de 1903 a jovem cubana Aída D’Acosta decolou no nº 9 do inventor, fazendo o percurso de Neuilly-Saint-James ao campo de Bagatelle (Paris-França).

Em agosto de 1803 viajando para o Brasil pelo vapor Atlantique, permanece por várias horas em Lisboa. Em entrevista à imprensa, evoca a figura de Augusto Severo, lamentando-se do desastre que o vitimou. Também, declara que pretendia, num balão, efetuar a travessia do Canal da Mancha e ir a Portugal, depois seguir para o Brasil mais rápido do que o navio em que viajava.

As mulheres usavam o véu Santos Dumont, que tinha apliques de veludo em forma dos balões. O doce mais vendido nas ruas era o pão de mel com a imagem do aviador e o brinquedo mais procurado as maquetes do Nº 6.

Foi em uma viagem aos Estados Unidos, que, além de conhecer e passar algumas horas de conversa com Thomas Edison, conheceu também as experiências dos norte-americanos com as máquinas mais pesadas que o ar, os aeroplanos. Mas antes que começasse a pensar no seu 14 Bis, ele ainda iria desenvolver o “primeiro carro que voa do mundo”. Era o Nº 9, o Baladeuse, três vezes menor que o Nº 6.

Em Setembro de 1908 estabelece o recorde de velocidade voando a 96 km/h no ‘‘Demoiselle’’. Faz um vôo de 18km, de Saint-Cyr ao  castelo de Wideville, considerado o primeiro recorde da história da aviação.

Por causa do tamanho reduzido de seu monoplano, Santos-Dumont foi capaz de transportá-lo de Paris "para Sait-Cyr na parte traseira de um automóvel (...) Esta é a primeira vez que temos conhecimento de que um automóvel tenha sido usado para transportar um aeroplano montado, da cidade para um lugar apropriado no campo, onde o aviador pudesse levar adiante seus experimentos.

Em 1909 Santos Dumont apresentou seu último invento aeronáutico: o Demoiselle 20. Foi o primeiro ultraleve da história. Com apenas 115 kg, envergadura de 5,50 m e comprimento de 5,55 m, era acionado por um motor de 24cv. Santos Dumont publicou os planos do Demoiselle 20 e permitiu que ele fosse construído por algumas firmas. O aparelho foi copiado e tornou-se um modelo popular

Em 1910, Santos Dumont anunciou sua intenção de parar de voar. Ele começava a sentir os sintomas da esclerose múltipla que o perseguiria até o final da sua vida.  Seu avião Demoiselle foi vendido a um piloto aspirante que, mais tarde, seria um dos maiores ases da primeira guerra mundial: Roland Garros

Cada vez mais recluso e irascível, o brasileiro seria diagnosticado com esclerose múltipla com apenas 36 anos.  

Horrorizado quando, no início da guerra, vizinhos o acusaram de espionagem e a polícia francesa invadiu sua casa.

 "Eu nunca pensei que minha invenção fosse causar derramamento de sangue entre irmãos. O que eu fiz?". Esta frase, dita por Santos-Dumont quatro dias antes de morrer, aos 59 anos, e testemunhada pelo ascensorista do hotel no qual estava hospedado

Suicidou num banheiro de hotel no balneário paulista de Guarujá, em 23 de julho de 1932, enforcar-se com as gravatas vermelhas, que tanto usava.

Em 23 de outubro, o primeiro vôo do 14-Bis completou 99 anos. Em clima de comemoração, o ilustrador e cartunista paulistano Spacca publica uma história em quadrinhos sobre a vida de Santos-Dumont (1873-1932).